23 janeiro 2013

Sonho....

"Hoje acordei como este poema de Fernando Pessoa, uma sensação de impotência atingiu meu ser!"


Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando dispertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são.

Obscura luz paira onde estou converso
A esta realidade da ilusão
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão. 

Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,
É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida. 

Nada é real, nada em seus vãos moveres
Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida. 

Fernando Pessoa


19 setembro 2011

Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos

Das horas que passei à sombra dos teus gestos

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos

Das noites que vivi acalentado

Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo

Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer que o grande afeto que te deixo

Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas

Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...

É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias

E só te pede que te repouses quieta, muito quieta

E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.



Vinicius de Moraes


14 fevereiro 2011

O tapetinho vermelho

Uma pobre mulher morava numa humilde casinha com a sua neta muito doente.

Como não tinha dinheiro sequer para levá-la a um médico, e vendo que, apesar de seus muitos cuidados e remédios com ervas, a pobre criança piorava a cada dia, resolveu iniciar a caminhada de 2 horas até à cidade próxima em busca de ajuda.
 
Ao chegar ao único hospital público da região foi aconselhada a voltar para casa e trazer a neta, para que esta fosse examinada.

Quando voltava, desesperada por saber que sua neta não conseguia sequer levantar-se da cama, a senhora passou em frente a uma Igreja e como tinha muita fé em Deus, apesar de nunca ter entrado numa Igreja, resolveu pedir ajuda.

Ao entrar, encontrou algumas senhoras ajoelhadas no chão em oração.
As senhoras receberam a visitante e, após se inteirarem da história, convidaram-na para se ajoelhar e orar pela criança.

Após quase uma hora de fervorosas orações e pedidos de intercessão ao Pai, as senhoras já se levantavam quando a mulher lhes disse:

- Eu também gostaria de fazer uma oração.

Vendo que se tratava de uma mulher de pouca cultura, as senhoras retrucaram:

- Não é necessário. Com nossas orações, com certeza sua neta irá melhorar.
Ainda assim a senhora insistiu em orar e começou: "Deus, sou eu, olha, a minha neta está muito doente. Deus, assim eu gostaria que fosses lá cura-la. Deus, pega numa caneta que eu vou dizer onde fica.

As senhoras estranharam, mas continuaram a ouvir.

- Já tem a caneta Deus? Vá seguindo o caminho daqui de volta pela estrada e quando passar o rio com a ponte entra na segunda estradinha de barro, não vai errar tá.

Nesta altura as senhoras esforçavam-se para não desatar a rir; mas ela continuou.

- Seguindo mais uns 20 minutinhos tem uma vendinha, entra na rua depois da mangueira que o meu barraquinho é o último da rua, pode ir entrando que não tem cachorro.

As senhoras começaram a indignar-se com a situação.

- Olha Deus, a porta está trancada, mas a chave fica debaixo do tapetinho vermelho na entrada, o senhor pega na chave, entra e cura a minha netinha.

Mas olha só Deus, por favor! Não se esqueça de colocar a chave de novo por baixo do tapetinho vermelho senão eu não consigo entrar quando chegar a casa...

Nesta altura as senhoras interromperam aquela ultrajante situação dizendo que não era assim que se deveria orar, mas que ela poderia ir pra casa sossegada pois elas eram pessoas de muita fé e Deus, com certeza, iria ouvir as suas preces e curar a menina.

A mulher foi para casa um pouco desconsolada, mas ao entrar na sua casinha sua neta veio correndo para lhe receber.

- Minha neta, estás de pé, como é possível?  
 
E a menina explicou. - Eu ouvi um barulho na porta e pensei que era a senhora voltando, no entanto, entrou um homem muito alto com um vestido branco no meu quarto e mandou-me levantar, não sei como, eu simplesmente me levantei.

E quase em pranto, a menina continuou.

- Depois ele sorriu, beijou minha testa e disse que tinha que se ir embora. Mas, vó. Ele deixou um recado. Pediu que eu avisasse a senhora que ele ia deixar a chave debaixo do tapetinho vermelho...


13 fevereiro 2011

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”



Autora: Florbela Espanca

01 dezembro 2010

Com o Amor Não Se Brinca

Há quem diga que o amor é à base de tudo, porém, eles se esquecem que:

Há os que se anulam em nome do amor e acabam abandonados.

Há os que investem tudo nos outros acreditando que serão correspondidos e vivem reclamando do egoísmo alheio.

Há os que sonham com um amor perfeito, pretendem encaixar o ser amado nesse modelo, e, acabam descobrindo que cada um é como é não temos o poder para mudar ninguém.


Há os que confundem paixão com amor. Não percebem que paixão é admirar no outro o que recalca em si. Quando a ilusão projetiva desaparece, percebemos o ridículo dos nossos atos apaixonados.


Há os que confundem apego com amor. São egoístas que esperam do outro exatamente o que não se dão.


O amor verdadeiro nunca faz sofrer. Traz alegria, motivação e prazer, agindo sempre com seu poder de harmonizar as relações humanas.


Quando ser feliz passa a ser um objetivo sério nós logo percebemos que COM O AMOR NÃO SE BRINCA.

Zibia Gaspareto



19 novembro 2010

Profeta Gentileza - História

Queridos Amigos!


Para aqueles que me conhecem um pouquinho, sabe o quanto sou curiosa, teimosa, e que quando cismo com alguma coisa, e, muito difícil de me demover dos meus objetivos. Doravante, com certeza vocês devem estar se perguntar, porque ela dizendo isso? Bem vou lhes contar o motivo.

Normalmente venho para o trabalho ouvindo música, e, hoje estava ouvindo uma das cantoras que mais gosto, Marisa Monte; na década de 90 ela compôs uma música chamada Gentileza, para homenagem o Profeta Gentileza, que acredito que alguns de vocês conheçam, ou já tenham ouvido falar na história deste ser humano iluminado, que durante muitos anos no Rio de Janeiro pregou o amor e a gentileza ao próximo, mesmo sem conhecer as pessoas que cruzavam seu caminho; sua frase mais famosa era “Gentileza gera Gentileza”.

E, como disse anteriormente sou muito curiosa, e, decidi a pesquisar saber mais sobre a vida e história deste senhor, que pregava a gentileza e amor sem conhecer as pessoas, e a partir desta pesquisa compreender os motivos que levaram não só a Marisa Monte, mas como, o Gonzaguinha a homenageá-lo, sem contar os inúmeros sites, blogs existente na internet.
Depois de conhecer a história do Profeta Gentileza, concluo que ele nos deixa uma lição de vida, que muitas vezes é esquecida por nós. A modernidade da qual desfrutamos hoje, nos trouxe benefícios magníficos, entretanto, grandes empecilhos ao nosso desenvolvimento como ser humano, não sabemos mais sermos gentis e delicados uns para com os outros, nos tornamos insensíveis, grosseiro, intolerantes, críticos em demasia com quem nos ama, e ainda mais critico com quem não conhecemos, chegamos ao ponto do desequilíbrio de julgar, condenar e executar.

Muitos de nós hoje, em virtude de nossas vidas agitadas, não mais apreciamos o que há belo na vida, uma poesia de Fernando Pessoa, uma música de Vinicius de Moraes ou Bach, uma simples rosa em um parque; nosso dia a dia sempre tumultuado nos faz esquecer e perder o que há de belo e sensível no mundo, no ser humano, nós nos prendemos as coisas pequenas e supérfluas, passamos admirar, aceitar e conviver com o abominável sem reclamar.


Presos ao nosso egoísmo e soberba, não nos permitimos amar desprendidamente, a ajudar sem pedir, ou esperar algo em troca, a sonhar como fazíamos autora, estamos vivendo em torno de nós mesmo, e nos esquecendo do que é mais importante, o amor, a amizade, o carinho.


O texto abaixo nos remete a uma reflexão, independente, raça, credo, ou até mesmos dos erros que cometemos, e, das qualidades que possuímos, devemos sempre tentar melhorar, colocar em prática a gentileza, o amor, a ternura, o perdão, mesmo com que seja para com aqueles que mais nos feriram, ou, que ainda continuam a nos ferir. Pois, já dizia o grande filósofo Teilhard de Chardinnenhum homem é uma ilha”. Isto significa que o homem não consegue viver isoladamente e precisa um dos outros para a sua sobrevivência precisa de amor, de carinho, compreensão, gentileza.


Se puderem vejam estes dois links e inspirem-se neste homem humilde, simples e abençoado.


http://www.youtube.com/watch?v=Dny57BwrNLw – Marisa Monte “Gentileza”


http://profetadegentileza.blogspot.com/ - José Datrino – O Profeta Gentileza (Blog de um cidadão canadense que conta um pouco sobre a vida do profeta).


Espero que apreciem o texto http://www.riocomgentileza.com.br/index-2.html 

Tenham um ótimo final de semana.



Beijos




Mônica Costa

18 novembro 2010


É curioso observar como a vida nos oferece resposta aos mais variados questionamentos do cotidiano...


Vejamos:


A mais longa caminhada só é possível passo a passo...
O mais belo livro do mundo foi escrito letra por letra...
Os milênios se sucedem, segundo a segundo...
As mais violentas cachoeiras se formam de pequenas fontes...
A imponência do pinheiro e a beleza do ipê,
Começaram ambas na simplicidade das sementes...
Não fosse a gota não haveria chuvas...
O mais singelo ninho se fez de pequenos gravetos...
E a mais bela construção não se teria efetuado
Senão a partir do primeiro tijolo...
As imensas dunas se compõem de minúsculos grãos de areia...
Como já refere o adágio popular,
Nos menores frascos se guardam as melhores fragrâncias...
É quase incrível imaginar que apenas sete notas musicais
Tenham dado vida à "Ave Maria", de Bach, e à "Aleluia", de Hendel...
O brilhantismo de Einstein e a ternura de Tereza de Calcutá
Tiveram que estagiar no período fetal...
Nem mesmo Jesus, expressão maior de Amor,
Dispensou a fragilidade do berço...


... Assim também, o mundo de paz, de harmonia e de amor com que tanto sonhamos só será construído a partir de Pequenos Gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão, dia a dia...

Ninguém pode mudar o mundo...
Mas podemos mudar uma pequena parcela dele...
Esta parcela nós chamamos de "Eu".
Não é fácil nem rápido...
Mas vale a pena tentar!


Vamos lá, não percamos a oportunidade...


Gentileza - Marisa Monte

Soneto do Amor como um Rio



Este infinito amor que um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que, contudo,
Eu já não cria que existisse mais.


Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.


Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno, interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo


E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

Vinicius de Moraes